quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O mundo do descarte


Em um mundo consumista, não se escuta mais o  verbo "consertar", não se conhece mais os sujeitos que desempenham essa ação e nem tem demanda para isso... Se eu compro um novo por R$30, porque vou pagar R$20 e ficar com um velho? O preço de produtos novos está baixo, assim como a qualidade; quem nunca ouviu da avó que não trocaria aquela batedeira que ganhou de casamento por uma nova? De fato, as coisas estragam mais rapidamente nesses dias...

E ouso dizer que isso não se restringe a coisas, vai além. Pessoas se estragam mais rápido, relacionamentos se estragam em um velocidade ainda maior. É pouca força de vontade de dar certo? Talvez. É pouco amor? Não. É nenhum amor! É tanto tempo convivendo com objetos, que mal reconhecemos o abstrato, o intangível, o conotativo... Aquilo tudo que faz a vida ter sentido e o que nos faz sentir.

A verdade é que assim como descartamos os objetos imperfeitos, descartamos as pessoas imperfeitas... E adivinhem? Somos todos imperfeitos, todos. E pode demorar um pouco para perceber, mas momentos perfeitos com certas pessoas, fazem valer a pena toda a imperfeição que sobrou... Mas é difícil saber isso quando não damos a chance para elas nos mostrarem; quando no primeiro defeito, nossa reação é "comprar" outra, para que - mais tarde - esta apresente um outro defeito.

Isso não significa permanecer no erro, mas não se ater a ele e se permitir ver o quadro inteiro. Conhecê-lo e saber exatamente do que se está abrindo mão. É difícil conhecer as pessoas, é difícil nos conhecermos, pois isso demanda tempo. E em um mundo cuja filosofia é "tempo é dinheiro", conhecer alguém é cada vez mais caro... e raro.

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