sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Cessa, Vento


A vida não é mesmo perfeita. A gente sofre, leva uns solavancos... da vida e dos amores, mas superamos. E voltamos a viver, a amar, é um ciclo. Às vezes, nos liquefazemos em choro, mas passa. Eu sei e, no fundo, você também sabe. Em determinados momentos, pode até não parecer, mas essa é uma vida digna, é intensa. E isso é, no mínimo, muito importante. Mesmo quando essa intensidade é "ruim", ela acaba sendo construtiva, é a responsável por aumentar nossa bagagem de vida, que um dia acaba servindo para alguma coisa.

Ruim mesmo é viver na média, sem grandes emoções. Eu odeio essa coisa de média, mais ou menos, ter asas e não voar. É melhor cortá-las de uma vez. De que adianta amar e não estar? Roger Bussy-Rabutin uma vez disse que "a distância faz ao amor aquilo que o vento faz ao fogo: apaga o pequeno e inflama o grande". Certamente isso não é válido a longo prazo, pois, se o vento não cessar em momento algum, o fogo se alastra até não ter mais para onde avançar, e então, encurralado, se esvai.

Deve ser assim com o amor, cresce com a saudade, avançando para novas terras, procurando meios alternativos de se alimentar e não morrer. Mas um dia, não tem mais lugar para se refugiar, tudo que poderia ser retirado e consumido, já o foi. Porém a saudade ainda vai ao seu encontro, implacável e sufocante. Atiçada pela distância e o esquecimento de quem definha... Ele não vai desistir, todos querem viver para sempre, mas todos sabem do seu tempo e o dele já é curto. Delirando com o sofrimento, ele ora para que o vento cesse logo, alguém tem que cessar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário