sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Precisa ter cu


Precisa ter cu.
Cu é muito importante.
Cu é essencial.
Cu para assumir responsabilidades, consequências, sentimentos.
Cu para ter coragem de dar a cara a tapa.
Cu para arriscar se passar por trouxa.
Cu para pedir o telefone, ser o primeiro e/ou o último a mandar mensagem.
Cu também para reconhecer o fim.
Cu também para deixar o outro seguir.
Cu também para controlar o próprio ego, orgulho, egoísmo.
Cu também para para fazer mais do que meias palavras, curtidas vazias, visualizações anônimas.
Por um mundo com mais cu e menos cuzão!

Saudade


Saudade do que eu ainda era para você. Minha linda.
Saudade do que era para mim. Meu bobinho.
Pergunto-me como tudo isso começou;
Minha mudança foi reflexo da sua?
Ou a sua foi reflexo da minha?
Não sei.
Só sei que nossos rótulos mudaram e podemos ser tudo:
Amigos, parceiros, companheiros...
Menos amantes.

Um dia esse amor reviverá?
A chama entre nós se restabelecerá?
Algum dia as borboletas irão trazer o desejo de nos desfrutar?
De nos amar?

Com esperança, eu espero o regresso iminente das borboletas com meu amor.

Como um verdadeiro amor morre


Eu te amo e eu te dou tudo o que penso que há de mais precioso no amor: carinho, elogios, apoio, cartões, flores, lealdade e até divido com você minha batata frita e meu bombom.
Você me ama e me dá tudo que pensa que há de mais precioso no amor: liberdade, independência, aventuras, novas experiências, críticas construtivas e até me empresta seus livros.

Mas amar e ser amado não é tudo. A reciprocidade no amor não é suficiente quando o jeito de amar é diferente. Eu te amo e você me ama, mas sempre falta algo para mim e para você. Aceitar menos do que se deseja é frustrante e envenena aos poucos esse sentimento, que vai deixando de ser amor, se transformando em qualquer outro sentimento menos incrível.

Em um lampejo passa em minha cabeça a ideia de que deveríamos ter cobrado mais. Do meu amor. Do seu amor. De nós. Mas logo o lampejo se confronta com uma das verdades mais absolutas desse sentimento tão sublime: amor não cobra, amor se doa.

Então, percebo que não poderíamos ter feito nada de diferente. Nosso amor nasceu, floresceu e foi morrendo de um jeito um pouco diferente e até imperceptível para olhos desatentos.

Não os meus, que a cada pequeno desencontro do nosso amor, derramava uma lágrima. De lástima. De saudade precoce.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

dois meses depois, sua escova também se foi


Dois meses se passaram
E tudo passou aos poucos
Foram as roupas
O perfume
Os sapatos
Por fim, a escova

A primeira a chegar, a última a sair
É o símbolo do começo e do fim
Demorei para me desapegar
Sabendo que seria para não voltar.

sábado, 16 de julho de 2016

Quero alguém...


Quero alguém que me beije na boca e que esse beijo se propague por cada canto do meu corpo, em forma de calor, de arrepio, de umidade.
Quero alguém que me faça perder a cabeça, fechar os olhos, estremecer as pernas e levitar.
Quero alguém que faça meu coração transbordar, minha mão suar frio e o resto do meu corpo ferver de calor.
Mas acima de tudo, quero viver sem regras idiotas, jogos mesquinhos, drama desnecessário.
Quero alguém que concorde em fazer nossas próprias regras, piadas, jogos, rotina.

É foda


Achei que a nossa história não teria fim, que seria como a música: "cada volta tua há de apagar o que esta ausência tua me causou".
Estava errada. Subestimei a distância ou superestimei nosso amor.
Minhas vindas e suas idas foram erodindo o meu amor até que nada fazia ele voltar a ser o que um dia foi e nem ser o que um dia poderia ter sido.
A distância me faz querer ainda mais, mas quando é assim, excessiva, me faz esquecer.
Esqueço do nosso amor, das nossas risadas, das conversas com os olhares e de como somos perfeitos um para o outro.
Quando nos vemos, precisamos criar novas memórias para ajudarem a relembrar as antigas, mas a essa altura, a intimidade se perdeu e o tempo é curto para resgatá-la.
É foda.
É foda saber que todo o nosso potencial não significa nada para o destino, que nos afastou assim.
É foda.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

O que viver? O que reprimir?


Você junta, encaixota, lacra, guarda e esquece.
Mas quando os destinos são cruzados não tem jeito. Vire e mexe eles se encontram.
É energia. É natureza. É incontrolável.
O destino desafia o seu bom senso e a sua lógica.
Vire e mexe ele revira as caixas guardadas espalhando tudo para todos os lados. Músicas. Desejos. Fotos. Sonhos. Medos. Amores.
E aí você se vê novamente naquela posição de separar o que deve ser juntado, encaixotado, lacrado, guardado e esquecido e o que deve ser encarado, arriscado e vivido.
Difícil.
O destino existe, mas não dá para colocar tudo na conta dele, afinal, todas as escolhas são nossas.
O que viver? O que reprimir?
Só sei que já está ficando cansativo viver arrumando bagunças antigas.